MARCOS CIDRAC
BANDA SALTO ALTO
Salto Alto. A primeira imagem que nos vêm à cabeça após ouvir a expressão é a de uma mulher bonita, de “presença” em relação às outras. Isso denota e faz jus à banda que adotou esse nome. Composta por cinco mulheres, o grupo Salto Alto reúne talento e bom gosto. Elas conversaram com a equipe da RBC no show realizado no mês de julho no bar Dona Rosa. Versatilidade, inteligência e beleza, agora na RBC entrevista!RBC: Para descontrair e a gente começar, vocês já atrasaram o inicio de algum show por que estavam se maquiando ou algo assim?
‘’(risos)... Não! Na verdade a gente se arruma como qualquer mulher, e sabemos que temos que chegar um pouco mais cedo, porque com certeza demoramos um pouco mais que os homens para se arrumar. Mas nos shows que fazemos, principalmente aqui em Betim, nos arrumamos muito, as mulheres daqui são muito bem arrumadas e lindas, não queremos fazer feio.
RBC: Qual a maior dificuldade que vocês enfrentam em suas jornadas? Há algum preconceito?
Temos as mesmas dificuldades que um grupo musical composto por homens, e mais uma dificuldade quanto ao preconceito por ser uma banda feminina. As pessoas criam uma expectativa maior em torno do nosso trabalho, uma expectativa puxada para o lado da cobrança. Não fugimos da responsabilidade e apresentamos o nosso trabalho, que é feito com muito gosto e assim conseguimos conquistar as pessoas.
RBC: Vocês já se sentiram privilegiadas de alguma maneira na hora de conseguir um show, ou de conquistar o espaço por ser uma banda só de mulheres?
Acontece em alguns casos de as pessoas fazerem contato por ser uma banda feminina, e a partir daí descobrem que além de ter uma banda só de mulheres se apresentando, terão um show bacana.
RBC: Por mais que tenhamos tantas artistas mulheres consagradas no mundo da música, por que vocês acham que uma banda composta só por mulheres ainda soa como algo inusitado?
Por não termos um histórico de outras bandas que possuem essa formação. Somos vistas como ‘’a banda das meninas’’ e na verdade não é assim, somos a Banda Salto Alto, muito prazer! Estamos na estrada há sete anos, e isso se deve ao nosso trabalho, dedicação e ao apoio que recebemos. As pessoas precisam conhecer mais e julgar menos.
RBC: Como a banda procura ser uma ferramenta na construção de uma sociedade mais rica em cultura?
Essa é uma preocupação constante da banda. Temos um CD com 12 faixas que são de autoria da Salto Alto, assim mostramos nosso trabalho.
RBC: Há muitos anos, uma mulher em um palco era algo absurdo, hoje, estamos aqui diante de uma excelente banda feminina. As mulheres já destruíram todas as barreiras no mundo da música ou ainda existem barreiras a serem superadas?
Existem muitas barreiras a se superar, e nós descobrimos isso todos os dias, sentimos na pele! Essas barreiras precisam ser vencidas, mas hoje em dia não dá para calcular o tempo. As coisas mudam em muito pouco tempo. Por isso a estratégia é sempre fazer um bom trabalho, com profissionalismo.
RBC: Qual a principal característica que fez vocês serem tão reconhecidas e aceitas?
O fato de não ser uma banda convencional, nossas apresentações e, claro, nossa música. O fato de ser uma banda só de mulheres ajuda no reconhecimento, e admitimos isso, sabemos que a beleza ajuda também, mas não é fator principal, não deixar a cargo da beleza o nosso reconhecimento, queremos ser reconhecidas através do nosso trabalho, nossa música.
RBC: Como vocês se projetam no cenário da música para os próximos anos?
Esperamos que nosso trabalho possa ter mais reconhecimento. Buscamos novas parcerias para gravar nosso próximo trabalho, e assim darmos continuidade. Acreditamos no nosso trabalho, principalmente pelo reconhecimento do público, das pessoas que têm acompanhado nossa trajetória. A gente não reproduz o artista em geral, um concorrente cruel que é celebridade; fazer música é complicado, ser músico é uma coisa, conciliar a arte com a mídia é trabalhoso. A gente enxerga um mercado paralelo e acredita que se possa viver bem de um mercado assim.
RBC: Para as meninas, que sonham em ingressar no mundo da música, assim como vocês, mas ainda se sentem tão excluídas, qual o conselho da Salto Alto?
Montar um fã-clube pra mim, brinca Riva, a vocalista.
Não desistir, não se menosprezar, não se sentir ameaçada, você tem seu valor independente da sua área, faça valer a sua força. No final das contas, as coisas valem a pena e a luta não para. Faça seu sonho acontecer!
RBC: Para finalizar, qual imagem vocês têm de Betim, e qual a mensagem para os betinenses?
A gente já tocou no Café com Arte também, a imagem e mensagem para Betim é uma salva de palmas. Nós simpatizamos com a cidade, a gente gosta daqui, tem um ar diferente, culturalmente falando, percebemos o quanto a cidade é desenvolvida e possui atrações interessantes e de bom gosto, Betim está de parabéns!
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Faça contato com a banda através do site, www.saltoalto.com.br
A equipe RBC recomenda um Salto Alto na sua vida!
ADERBAL GOMES
FÁTIMA MIRANDDA
FÁTIMA: Desde que cheguei a Betim, o meu trabalho sempre foi em prol da arte, eu ensino e ensinei arte para muitas pessoas de Betim. Lamento não poder contribuir de forma maior, pois falta muito apoio para concluir muitos projetos. Ensinei arte e realizei projetos que beneficiaram outros artistas da cidade e da grande Belo Horizonte, sempre me preocupando com o lado social e cultural que acredito ser responsável pela formação do indivíduo, hoje desenvolvo um trabalho voltado para crianças a partir de 5 anos, formando novos artistas, além de trabalhar com a terceira idade.
FÁTIMA: Para viver sim, mas não viver de arte.
PURA FACE DE UM POETA
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| Carlos Lúcio Gontijo |
Por Thiago Paiva, com fotos de Lucas Fernando Diniz
LITERATURA DO VELHO MUNDO
Por Thiago Paiva
Escritor português, chegando a incrível marca de 50 obras literárias, lançadas em países como Portugal, Brasil, Espanha e Chile.Talvez a imagem que esteja criando na sua cabeça seja de um senhor dos cabelos brancos e orgulhosas rugas no rosto, mas, queridos leitores, este grande escritor com uma obra admirável tem apenas 33 anos de idade. Pedro Silva, o escritor português mais brasileiro que existe conversou com a Revista Betim Cultural e ao longo de nossa entrevista, discutimos um pouco sobre o que torna o jovem em um excelente escritor digno de ser apresentado como “recordista cultural’’.
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REVISTA BETIM CULTURAL: Pedro, para que possamos começar. 33 anos, 50 livros publicados, qual segredo? Você sofre de insônia?
PEDRO SILVA: Sinceramente, não acredito que exista algum segredo. Tudo está relacionado com muita força de vontade e a crença de ser possível poder cumprir o meu sonho de criança, isto é, tornar-me escritor na verdadeira acepção da palavra. Mas, de qualquer modo, creio que estou apenas a dar os primeiros passos nesta minha caminhada literária.
Seu gosto pela leitura e escrita começaram quando você era uma criança. Você acredita que ser autor trata-se de uma vocação, um chamado?
No meu caso, desde muito jovem que tinha este sonho de ser, um dia, um escritor com obra publicada. Sem dúvida que a vocação é fundamental. Mas a paixão não pode ser descurada. Quiçá, tudo isto se resuma naquilo que refere, ou seja, “um chamado”.
No início de sua carreira literária, você enfrentou muitas recusas até que tivesse obras publicadas. Por que esse meio é tão exigente? A concorrência e as editoras são leais com quem se arrisca a ingressar nessa carreira?
Tanto no início da minha carreira literária, como ainda atualmente, as recusas são sempre muitas. E, na verdade, temos de reconhecer que as editoras são empresas. Como tal, existem para ter lucro. Portanto, atendendo à enorme oferta de obras, é natural que tenham de fazer uma selecção para defender os seus interesses comerciais. Eu, apesar de ser autor, concordo com as opções editoriais, mesmo quando recusam um trabalho de minha autoria.
Você escreve desde os 10 anos de idade, no inicio não tinha um acesso a internet quanto hoje. Voce acredita que a internet separa as pessoas dos livros? Como você vê a relação livros versus internet?
Não sou entusiasta de uma leitura preferencialmente pelo ecrã de um computador. Posso ser considerado um conservador, no que aos livros diz respeito, mas para mim uma obra deve ser impressa em papel. Mas, atendendo à evolução natural, não é difícil prever que o futuro possuirá fortíssima tendência virtual. E, nessa perspectiva, poder-se-á aproveitar as potencialidades das novas tecnologias para uma integração na própria divulgação da obra. Um livro de História que possa ser complementado com imagens de monumentos ou mesmo vídeos históricos será, sem dúvida, uma mais-valia. Mas, felizmente, acredito piamente que o livro em formato papel nunca irá desaparecer.
Sua carreira literária é marcada por obras de extrema complexidade como, ‘’Os grandes mistérios da Humanidade 2006’’, ‘’As maiores civilizações da historia’’ de 2008 e o profundo “Ku Klux Klan: Pesadelo Branco’’ de 2003. Como o seu cotidiano, e o mundo como um todo influenciam suas obras?
Um ensaísta é, sempre, influenciado pelo mundo exterior. Aliás, como qualquer outro cidadão. Porém, a redação dos livros deve ser totalmente isenta. E é isso que tenho procurado em todos os meus trabalhos. Escrever sobre um tema não significa obviamente qualquer ligação com ele, a não ser o de informar o público. Assim sendo, um investigador que publique uma obra sobre uma qualquer enfermidade, não significa que por ela se sinta atraído ou que pretenda sofrer desse mal. Na verdade, está apenas a cumprir o seu papel de estudioso e o dever de informar. Essa é, também, a função do ensaísta.
A partir de seu primeiro livro ‘’ Ordem do Templo: Em Nome da Fé Cristã’’ lançado no ano 2000, ao longo de sua carreira você publicou outras obras voltadas para religiosidade. Escrever sobre elementos místicos, abstratos e fictícios requer uma determinada sintonia espiritual com alguma força ou é como escrever sobre crônicas do cotidiano?
Por muito que isto possa decepcionar alguns leitores, a grande realidade é que, para um ensaísta, a questão temática é praticamente indiferente. A minha fé não influenciou qualquer dos meus títulos. E posso afirmar que sou uma pessoa profundamente crente. Para mim, enquanto profissional, um livro é um objeto de trabalho, para dar ao leitor um texto fluido, interessante, informativo e cativante. Obviamente, que me reservo ao direito de não abordar temáticas que considere ofensivas ou similares, sobretudo porque, para mim, escrever deve ser sinônimo de prazer e não para alimentar ódios ou semear desentendimento.
Quando você dá início a uma obra, você já tem toda historia em mente ou ela acontece sem uma ordem pré estabelecida, na base do “a própria história conduz”?
Depende da obra em questão. No campo dos textos ficcionais, sou mais conduzido pela história. O autor deixa-se enlear no texto. No âmbito das crônicas ou dos roteiros de viagens, existe sempre um componente pessoal, essencialmente no campo da seleção das matérias a abordar. Porém, em termos de ensaio histórico, como já frisei, trata-se de trabalho de investigação estrito.
Você tem inúmeras obras obras lançadas no Brasil, como "História e Mistérios dos Templários" pela Ediouro, 2001, "Grandes Enigmas do Passado (Desvendando o Inexplicável) pela Pulso Editorial, de 2008. Existe uma diferença na aceitação das obras pelos leitores de Brasil e Portugal?
Até ao presente momento, não notei qualquer diferença substancial em termos de aceitação pelo público brasileiro e português. Sinto-me até tentado a acreditar que muitos leitores brasileiros acreditam que eu sou um autor brasileiro (até porque o nome “Pedro Silva”, conforme fiquei a saber com o passar do tempo, é bastante comum no Brasil). Para mim é uma enorme honra sentir que, independentemente desse fato, os leitores brasileiros me acolheram de uma forma tão fraternal, fazendo jus à expressão de sermos países-irmãos.
Em sua obra "Os mais belos lugares para se conhecer (antes que eles acabem)" da Universo dos Livros, Publicado aqui no Brasil em 2008, seu foco era divulgar lugares interessantes a cunho turístico ou alertar sobre a importância da preservação do meio em que vivemos?
O propósito inicial dessa obra era a divulgação histórica e turística dos locais ali retratados. No entanto, existe em mim uma ligação muito próxima com os monumentos sobre os quais escrevo – sobretudo quando tenho a possibilidade de os visitar com o tempo suficiente para uma percepção ampla do espaço físico em conjugação com a história ali patente. Muito me entristece quando sinto que determinado local não obtém o destaque que merece. Contra isso labuto, imenso, na maioria dos meus estudos ensaísticos.
Uma obra tão grande em apenas 33 anos de vida. Quais os planos de Pedro Silva para os próximos anos? Qual sua mensagem para leitores brasileiros?
Não querendo repetir-me, o fato é que os meus planos têm sido sempre os mesmos – não apenas continuar a escrever (e a publicar) mas, simultaneamente, procurar melhorar, a cada momento, a minha escrita, de modo a proporcionar ao leitor melhor qualidade em termos de texto final. Espero ter a oportunidade de efetuar uma série de projetos que tenho em mente, assim como visualizar a publicação de alguns títulos já contratados e previstos para lançamento durante o presente ano. A minha mensagem para os leitores brasileiros inicia-se por um forte agradecimento pelo carinho que têm ofertado aos meus livros, desde o primeiro momento, animando-me a prosseguir esta minha atividade. E que espero ainda presenteá-los com mais obras de meu cunho pessoal, até porque, apesar de nem muitos saberem, a grande maioria dos meus títulos publicados foram-no no Brasil.
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Conheça o trabalho de Pedro Silva no site eupedrosilva.blogs.sapo.pt
NOEMI GONTIJO
Por Flávia Freitas (comunicacao.se@terra.com.br)
O Salão do Encontro completou 40 anos em outubro deste ano. Para comemorar a data especial do projeto social situado em Betim-MG, em parceria com a Assessoria de Imprensa da ONG, temos a satisfação de publicar uma entrevista exclusiva com a professora, fundadora e presidente da Organização, Dona Noemi Gontijo.
Flávia Freitas – Junto com o seu grande amigo Frei Stanislau Bartold a senhora fundou o Salão do Encontro em 1970. Qual o sentimento de ver a obra social completando 40 anos?
Dona Noemi Gontijo – O Salão do Encontro é a minha realização, é o projeto para ajudar as pessoas, não com o paliativo, mas sim oferecendo o caminho para que elas mesmas descubram o potencial que têm. Quem faz o Salão do Encontro são as pessoas que começaram aqui crianças, que com o apoio multiplicaram o conhecimento para levar adiante as belezas do artesanato e a qualidade dos programas sociais. Desde o início, a instituição presta assistência para as pessoas menos favorecidas de Betim, oferecendo educação de qualidade para as crianças e adolescentes, geração de trabalho e renda para adultos, idosos e pessoas com deficiência.
Flávia Freitas - A senhora dedica a vida em benefício dos mais necessitados. Qual a origem da sua essência humanista?
Dona Noemi Gontijo – Sempre gosto de contar a história da minha avó. Ela sempre falava comigo: “Gosta sempre do pobre que ninguém gosta dele”. Eu carrego esse sentimento para a minha vida. Todos que me procuram, tendo a oportunidade, eu ajudo. No Salão do Encontro não tem currículo, o papel não significa nada, para mim o importante é o caráter, a pessoa é o seu próprio currículo. Eu olho é o que a pessoa tem de potencial, o que podemos despertar nela e ver a melhora e desenvolvimento de cada um.
Flávia Freitas – Durante os 40 anos da fundação, a senhora contou com a ajuda de vários amigos e parceiros. A colaboração deles foi essencial para o desenvolvimento da obra social?
Dona Noemi Gontijo – A gente não faz nada sozinho. No início eu precisava de um terreno e tive a alegria de receber da Dona Risoleta Neves, na época esposa do Governador Tancredo Neves, oito hectares para começar as atividades. Ela acreditou na gente e confiou na obra social. Até hoje eu considero Dona Risoleta Neves e toda a família como meus grandes amigos. Além deles, outros amigos e parceiros ajudam o Salão do Encontro. Aproveito a oportunidade para agradecer a cada um deles, sou muitíssimo grata a todos.
A VISÃO DE UM ÍCONE
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| Thiago Paiva, Kiko Zambianchi, Lucas Fernando Diniz e Tiago Henrique Rezende Fonseca |
RBC entrevista RENATO TEIXEIRA - Agosto/2010




















